Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Coluna do José Augusto

  

A Pedra

 

 

 

O ano era mais ou menos 30 da Era Cristã e Jesus então já estava com 30 anos de idade quando deu início a sua missão, envido por seu Pai. Iniciou tal tarefa montando uma equipe de trabalho, a qual depois seria a responsável por propagar suas ideias e defender seu legado. Me refiro aos Apóstolos.

 

O Leão de Judá iniciou a busca por cada apóstolo na Região da Galiléia, e para o nosso personagem quase principal – quase - foi encontrá-lo em Jericó, local onde João Batista fazia seus batismos.

 

Falo de Simão, chamado de Apóstolo Pedro. Não sabemos ao certo como aconteceu a conversa entre Jesus e o então pescador Simão, mas a história contada através de Mateus, diz que foi assim:

 

 

 

E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

 

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.0

 

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;

 

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

 

Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus o Cristo. Mateus 16:16-20

 

 

Era aqui que eu queria chegar: - tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela - A pedra onde nosso Mestre disse que edificaria sua igreja!! Aqui eu paro e aqui eu reinicio.

 

Jesus usou de um estilo linguístico incrível – aliás, ele adorava se utilizar da linguística – a metáfora, para mostrar O QUE ELE QUERIA e QUEM ELE QUERIA para manter e continuar sua Obra, a implantação da existência definitiva do próprio Pai que o enviou e do Amor Verdadeiro. E aqui já temos então o que nosso Mestre queria.

 

Mas quem ou o que ele queria (já estou quase chegando em nosso personagem principal, que não é o Apóstolo Pedro! Estou embromando de propósito)?

 

Ora, como vimos, Jesus queria Pedro, mas queria Pedro como uma pedra! Porque só alguém com um espírito e um caráter duro e firme como uma pedra poderia suportar os ataques físicos e psicológicos de um povo tão sofrido, descrente e ignorante daquele início de época.

 

Disso sabemos pelo passado recente e pelo presente tão mostrado pelas mídias: apenas - e somente apenas - um apóstolo de espirito e caráter duros consegue suportar e cumprir sua missão nesta Terra.

 

Diariamente, caem sacerdotes de todas as religiões pelo caminho, vítimas de outros irmãos e vítimas de si mesmo, pela vaidade, orgulho, arrogância e pelo vil metal, o dinheiro.

 

É complicado e muito difícil o caminho espiritual de um espírito na forma humana, seja pela pobre educação que recebeu, seja pelos resgates que precisa fazer aqui, seja pela má influência familiar ou de amigos.

 

A história registra a existência de centenas de apóstolos espalhados pela Terra, escolhidos pela Espiritualidade para dar início ou continuar o trabalho de Jesus (sim, isso mesmo: Jesus não acabou sua missão aqui na Terra. Somos um meio e não um fim). E foi assim também com o Caboclo das 07 Encruzilhadas, quando chamado por Jesus para inserir a Umbanda no Brasil.

 

Neste mesmo passo, foi assim com o jovem Zélio, quando convidado pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas. Os dois foram pedras sobre as quais Jesus assentou, edificou a Umbanda. Nada é por acaso, não é? Os dois também foram pedras...

 

Bom, agora sim falarei sobre o personagem principal desta última coluna de 2019 (por isto disse que Pedro era “quase” o personagem principal): ANDRÉIA PAGNO, chamada por  Mãe Andréia de Xangô, mas chamada por mim aqui de A Pedra.

 

Quem a conhece, sabe que ela é a pedra da Tenda de Xangô 07 Raios e Exu Pedra Negra. Sabe o que estou falando. Sabe que ela é a Pedra sobre a qual está edificada a pedra de Xangô neste Litoral Norte do RS. E literalmente, está lá mesmo uma pedra embaixo de Xango, no congà da terreira.

 

Esta pedra é a nossa Andréia. Porque somente ela é portadora do espírito buscado por Jesus, encontrado em Pedro, no Caboclo das 07 Encruzilhadas e em Zélio. Somente ela tem o que Jesus precisa. Somente ela tem um espírito duro e um caráter de pedra para suportar o que vem de fora, contra a sua divina missão junto de Xangô.

 

Ela é a filha mais forte, mais corajosa e a única que conseguiu colocar um alvo na própria missão, como só um cabloco consegue fazer, e ela segue direito na direção deste alvo, não podendo ser parada por ninguém ou por nenhum tentação.

 

Não há brechas no escudo de Andréia Pagno.

 

Assim, todos vamos passar, menos a Andréia. Anos vão passar; trabalhadores vão entrar e sair da corrente, ou até poderá ela se esvaziar; assistência entrará e sairá, passando pais, filhos e avós; mudarão as estações do ano e do tempo; mudarão governos; envelheceremos até, e a Barbará chegará aos seus 80 anos!!

 

No entanto, lá estarão a Andréia, o Michael e a Barbará de pés descalços, simples como são, invisíveis, humildes, solitários, sozinhos, pessoas que a assistência nem nota!! Mas isto não tem importância na tarefa: Jesus não foi notado, Seu Sete Encruzilhadas também não, assim como o Seu Zélio.

 

Mas a obra deles está lá até hoje, assim como estará Andréia, a Pedra de Xangô.

 

Iniciei escrevendo esta coluna em outubro deste ano homenageando Jesus, o Cristo e Michael de Oxalá; termino com a Andréia, a pedra de Xangô.

 

 

 

Saravá a todos. Feliz 2020.

 

 

 

José Augusto da Cunha Meira.

 

 

As sete lágrimas de um Preto-Velho 58 anos depois.

 

 Coluna de 6 de Dezembro de 2019

 

 

 

 

Por volta de 1961, em um típico terreiro de Umbanda, pequeno e simples, ocorreu um diálogo entre um umbandista e um preto-velho que, por ordem da Espiritualidade, posteriormente fora transformado em um livro, cujo nome é Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto-Velho, e cuja autoria foi de W. W. da Matta e Silva.

 

Nesta obra, o autor registrou um triste lamento deste preto-velho. E este lamento veio num texto chamado As sete lágrimas de um Pai-Preto, onde é mostrada a profunda tristeza dele com o comportamento humano.

 

Pois bem. Esta conversa se passou há 58 anos. Como seria hoje a conversa de um preto-velho com seu filho de fé? Seria numa típica terreira de umbanda, com paredes de madeira, chão de cimento, bancos duros também de madeira, numa peça de garagem ou da própria casa, ou naquela famosa “pecinha” construída as pressas e com pouco dinheiro pelos pais de santo?

 

E como seriam os pais de santos e seus filhos? Como seriam eles em pleno 2019? Como seriam os frequentadores? Quais seriam seus problemas?

 

E como seria a Umbanda de 2019? Modernizados os aparelhos, teria sido ela também modernizada pela nova sociedade?

 

Por fim, este pai velho teria lágrimas para chorar em 2019?

 

A primeira lágrima deste Velho Guia seria para os pobrezinhos que vão até as Terreiras pedir ajuda. Quantas mães cansadas e idosos sofridos entram nas casas com as roupas simples e pés quase descalços pelo surrado sapatinho ou sandália. Um triste contraste com aquelas casas de religião onde há tanta riqueza exposta quanto joias nos trabalhadores.

 

A segunda lágrima deste velho trabalhador cairia logo após a primeira, quando estes pobrezinhos não tivessem dinheiro para pagar pelo atendimento espiritual, sendo excluídos mais uma vez do socorro.

 

Por certo Jesus, ou qualquer outro antigo espírito da Umbanda ou de qualquer outra religião de matriz africana, que estivesse na forma humana, também não poderia ser atendido. E aqui já vai a terceira lágrima.

 

A quarta lágrima, a mais vermelha de todas, seria por causa da matança das criaturinhas mais amadas pelo nosso Pai, que enche de sangue as mãos dos mercadores da morte, em troca de favores não merecidos e pagamentos, esquecendo que Jesus jamais ordenaria e consentiria com este comportamento cruel.

 

Por sua vez, o quinto e o sexto lamento do Guia Velho seria pelo desligamento dos humanos com as questões espirituais. Vivemos no Mundo Material, mas viemos do Mundo Espiritual. Somos seres espirituais vivendo uma rápida experiência humana, e não ao contrário.

 

No entanto, estamos fechando nossos canais de comunicação com boa parte da Espiritualidade Superior, o que por via inversa abre os canais de comunicação do Baixo Astral, criando uma massa gigantesca de péssimos humanos, que logo depois se tornaram péssimos espíritos.

 

A sétima e ultima lágrima do Preto-Velho, sem qualquer dúvida, cairia por causa do mal que está se instalando rapidamente - não apenas na mente dos homens - mas em seu interior. Um mal diferente dos outros, um mal que desta vez vem quase invisível para nós, na forma da vaidade, do orgulho e da intolerância.

 

Um mal que nos faz humilhar o outro, tornando o outro também invisível. Um mal que invade qualquer coração desavisado e especialmente daqueles bem avisados. Um mal que provoca o triste sofrimento daqueles mais pobrezinhos e abandonados, excluindo justamente os que mais estão desprotegidos.

 

Mas daí já não chora apenas nosso Preto-Velho, mas todos os trabalhadores das Sete Linhas da Umbanda. Choram todos, num lamento infinito.

 

Pois bem. Ao que parece precisamos ajudar nossa Velha Umbanda a fazer sua parte, a ser tanto toda a espada quanto a ponta da espada, combatendo o Mal com o Bem, sendo o reflexo da Luz Divina na Terra, para que ao final da nossa missão, possamos dizer: combati o bom combate, acabei a corrida e permaneci na fé!

 

 

 

 

 

Saravá a todos.

 

 

 

José Augusto da Cunha Meira.

 

 

 

Uma breve conversa sobre progresso moral e intelectual

 Coluna de Novembro de 2019

 

“Fácil é chegar a um acordo com o ignorante; mas mais fácil ainda com o que sabe distinguir as coisas. Mas aos homens cheios do saber insignificante, ninguém é capaz de convencer.” (W. W. da Matta e Silva, no livro Umbanda de todos nós, 18ª ed., 6° Capítulo, Os sinais riscado).

 

Se extrai de toda obra espírita revelada por Jesus vários conceitos, seguidos de centenas de orientações de toda a ordem, que vieram fazer derrubar o véu da ignorância e auxiliar a caminhada de todos nós humanos e espíritos rumo a perfeição. Naturalmente que num artigo não dá para numerar todas as matérias, mas dá para indicar as duas principais: caridade e progresso moral-intelectual.

Hoje falarei rapidamente sobre o progresso moral-intelectual, ficando a caridade para a próxima coluna. É que o avanço moral-intelectual é fundamental para que os vivos e os mortos possam entender o que Pai nos fala e quer de nós, através dos Orixás, preto-velhos, caboclos e exus.

É chegado o tempo de se começar a buscar entender as lições e orientações que nos são fornecidas diariamente por meio de doutrina, da intuição, de amigos e diretamente nas sessões. Já vai longe o tempo em que nós humanos não conseguíamos compreender as histórias, as filosofias, os ensinamentos e as simples conversas dos profetas, dos doutrinadores, pastores e do Professor da Galiléia, que precisavam nos falar por meio de parábolas.

Este tempo acabou. E ele não vai voltar. Assim como não vai voltar a paciência dos Professores Espirituais com alunos desatentos. Já nos foi possibilitado usar da inteligência para conhecer muitas verdades, de compreender e não errar, para que o caminho do bem seja o escolhido e não do egoísmo (amor pessoal exagerado) e do orgulho (admiração pessoal exagerada). Através da mais simples inteligência, podemos identificar a mais simples e certa moral.

E do lado de cá, não sendo nosso Mestre Jesus, Orixás, preto-velhos, caboclos e exus, quem tem mais obrigação de repassar e ensinar moral? Ate nisto a Espiritualidade Superior pensou: os mais inteligentes ensinam os menos inteligentes; os pais ensinam aos filhos; os mais velhos ensinam aos mais jovens, os mais fortes ensinam aos mais fracos, os mais espiritualizados ensinam os menos espiritualizados, e por ai vai o progresso da humanidade e do próprio mundo espiritual, um ajudando o outro.

Agora é a nossa vez umbandistas, é a nossa oportunidade! É o que Xangô exige SEM ABRIR QUALQUER EXCEÇÃO. Então avante ao progresso irmãos. Sem paredes.

 

Saravá a todos.

 

José Augusto da Cunha Meira. Advogado, médim, doutrinador e expositor Umbandista. Estudioso das Religiões Afro Brasileiras e do Espiritsmo. Tem sua coluna aqui no site e também no programa Conversas de Terreiro.