Orixá Iemanjá x Festas Humanas

                     

                      Foi uma tentativa em vão querer deixar passar o Dia de Iemanjá sem fazer um texto a respeito. Tentei, mas não consegui. E aqui vai a primeira explicação: é que já há muito material e muita divulgação em todos os formatos de mídia, fora as palestras e reuniões. Ninguém aguenta mais tanto discurso.

                        Mas daí surgiram duas cenas peculiares: Pai João Inácio dentro da água numa pequena praia em Arroio do Sal e as festas de Iemanjá que acontecem tradicionalmente.

                        O que este ignorante colunista costuma presenciar todos os anos, se chocou de forma violenta com o que assisti na noite de ontem, assim como com o que leio, escuto e vejo na Terreira em que presto um insignificante trabalho de formiguinha.

                        Então não consegui deixar passar em branco, e aqui vai a segunda explicação, para que o leitor possa entender o que aconteceu e o que vou escrever:

                        1 – Talvez a festa mais conhecida pela população brasileira – especialmente umbandistas e adeptos de outras religiões de matriz africana – é Iemanjá. Não preciso falar muito sobre como são as homenagens e celebrações. Quem já foi para a beira da praia nos dias 01 e 02 de fevereiro consegue lembrar. Festa e mais festa, por horas e horas, super produções.

                        2 – Ontem, através da Terreira de Xango 07 Raios e do Exu Pedra Negra, foi realizada numa pequena e distante praia de Arroio do Sal, a Festa de Iemanjá. Para fazer o encerramento da homenagem, veio até nós o preto velho Pai João Inácio, um espírito já muito evoluído, no aparelho do gigante Pai Michael de Oxalá, e sem qualquer frescura, como se diz aqui no Sul, levou o aparelho para a distante beira do mar e lá, com os pés molhados, cruzou todas as cabeças, inclusive a não merecida cabeça deste que escreve.

                        (Daqui a pouco, vamos falar sobre o que é evolução espiritual)

                        E este doce e iluminado espírito não parou por ai e aqui veio a minha primeira surpresa e aquela cena peculiar: ele pediu que todos os trabalhadores e presentes ficassem em linha diante do mar e ao som do atabaque, saudou com seu puro espirito Deus, o Mestre Jesus e Iemanjá.

                        O próximo passo deste nego bem veio que veio de MUITO LONGE e que precisou de UMA USINA ELÉTRICA de energia para poder ultrapassar, transpor os campos vibratórios que separam o Plano Material do Plano Espiritual, me fez chorar: ele voltou até a frente do simples e humilde “conga” de frutas e velas, oferendados por pessoas humildes, e lá começou a procurar uma lata de cerveja para completar a “química” transformação dos elementos energéticos. Descalço, curvado, de roupa simples, aparência humilde, encabulado, no escuro porque não havia luz elétrica na terreira, encontrou a lata.

                        (Ps.: pessoal, precisamos entender de uma vez por todas uma coisa, alías, muitas coisas: quando estamos diante de uma entidade, principalmente da nossa Terreira, estamos diante de um espírito, não de algo inimaginável, ou que não existe, ou que parece fantasia; ele tem a mesma aparência que a nossa, usa roupas, tem uma casa, estuda, trabalha, MAS QUE NÃO TEM MAIS OS MESMOS DEFEITOS PSICOLÓGICOS QUE NÓS: como ódio, ciúmes, raiva, preguiça exagerada, ou qualquer outra falha de caráter, etc, etc..! Já estão muito mais avançados que nós e isto se chama evolução espiritual)

                        Pois bem. O pai João Inácio é assim.

                        Bom, fazendo uma adequada comparação entre as festas tradicionais para Iemanjá e esta que descrevi que ocorreu na noite de ontem na Terreira do Sete Raios, vocês percebem que existe algo de errado nas Festas de Iemanjá que ocorrem tradicionalmente?

                        Tem algo que não se encaixa entre a maioria das festas, com o que quer a Umbanda do Sete Encruzilhadas. Falta um elo entre o que se costuma fazer e o que deseja Jesus Cristo. E nós humanos ainda não entendemos isto.

                        Mas Pai João Inácio entendeu. Os dirigentes da Terreira Andréia de Xangô e Michael de Oxalá também já entenderam, aliás, aprenderam.

                        Mas tchê, aprenderam o que? O que? Qual o segredo?

                        O elo que faltou: o que é essencial é invisível aos olhos, e pode ser visto apenas pelo coração, pela alma, pela intuição, por aquela sensação limpa no peito de que naquele lugar tem a presença do Orixá. O amor que vem de Jesus diretamente aos humanos – não esquecam que Jesus foi humano e morou a 12.000 Km de Arroio do Sal – porque somos o centro da causa de Jesus, é o mais importante numa oração, numa conversa, numa homenagem, numa festa, ou no bater cabeça no conga ou cumprimentar a tronqueira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

                        E foi o que a Terreira do Sete Raios e do Pedra Negra – através da Mãe Andréia de Xangô e do Pai Michael de Oxalá – nos proporcionaram: amor num conga de frutas, chão de areia, sem luz elétrica, e com o nego bem veio do pai João Inácio reverenciando uma dos maiores pontos de força da Terra, o mar. Nada mais é preciso e o que tem a mais, é apenas uma lamentável distração psicológica e espiritual.

                        Aliás, e isto vai ser outra coluna, Iemanjá não é um espírito, uma entidade, não foi humana, não é uma mãe. Cuidado com estas armadilhas ingênuas: Orixá é uma linha de trabalho, cuja matéria prima é a energia. É como se fosse aqui na Terra uma congregação. Como forma de criar uma fonte de equilíbrio energético no Planeta Terra, a Espiritualidade Superior – muito superior – aproveitou os mares que abracam quase toda a terra e ali colocou uma poderosa energia. Esta energia age como um filtro gigante de limpeza e renovação, ao passo que também fornece os mesmo elementos aos seres humanos e de toda a natureza que vivem sobre a Terra…

                        Para finalizar, este jovem umbandista aqui criou um tipo de “prova final” para saber se um ritual ou uma entidade trabalha para o Mestre Jesus ou não. É bem fácil. Não tem contra-prova. Não tem erro. Vou contar para vocês:

                       Quando diante de um ritual ou de uma entidade, de um espírito, faça a seguinte pergunta: eu consigo ver Jesus participando deste ritual ou ao lado deste espírito, concordando com os trabalhos? A resposta é sim ou não?

                        Saravá a todos.

                        José Augusto da Cunha Meira.

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