Carnaval, benção ou maldição

O que pensar do carnaval? De um lado, extremistas que dizem ser uma festa amaldiçoada, de outro, pessoas que cometem os piores excessos, de todos os tipos.
Somos sabedores de que a egrégora espiritual presente nesta data é saturada de fluidos de uma natureza espiritual com baixas vibrações, e que podem poluir nosso espírito se não somos vigilantes.
Paro e olho os dois lados e não fico com nenhum. Fico no meio, pois não concordo com excessos, mas não concordo em tornar o povo mais triste e deprimido do que já é.
Carnaval também e sinônimo de festa, alegria, cultura, arte. Repare nos sorrisos no rosto dos foliões quando caem na avenida, a beleza das escolas de samba mostrando o resultado do trabalho de um ano todo, e o esforço de muitas pessoas.
Criatividade de muitos que pensam desde as roupas até a música que embala a festa. Alegria, felicidade de ver sua escola de samba na avenida.
Quantas pessoas tem neste momento único em suas vidas a oportunidade de mostrar o quão belas coisas podem produzir, o quanto são valorizadas no seu trabalho pela sua escola, algo que a grande maioria do povo nunca imagina ter, pois passam um ano todo dentro de empresas, acordando de madrugada pra pegar 2 ou 3 ônibus para se dirigir ao seu trabalho, todos os dias, pra ganhar uma miséria, enfrentar todo tipo de dificuldade, desde uma consulta médica, que por sinal é bem difícil, uma internação hospitalar é algo de outro mundo, até falar de segurança pública, a falta de lazer nas nossas cidades, e tantas outras misérias de nós, seres humanos comuns, normais.
Pergunto: É melhor deixar o povo deprimido dentro de casa ou proporcionar, nem que seja por 4 ou 5 dias, uns momentos de alegria e prazer?
E como tudo tem dois lados, segue aqui também as palavras de Emmanuel sobre o carnaval, pela psicografia de Chico Xavier. Em face de tudo isso, tire você mesmo a melhor conclusão sobre o assunto.

Leiam e colaborem com as égides superiores, em minimizar os efeitos, causados pela turba dementada que busca através destes dias, fugir à realidade da vida e aos divinos propósitos, fundamentados nas leis da regeneração do progresso e da elevação da humanidade.
Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.
É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização.
Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.
Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.
Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.
Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.
Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras.
Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.
É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral.
Emmanuel
Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier em Julho de 1939 / Revista Internacional de Espiritismo, Janeiro de 2001.

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