"Que Umbanda vocês praticam?"

Saudações caros irmãos. Iniciamos esta postagem com a pergunta que esta em primeiro lugar nos questionamentos feitos pelos irmãos que procuram a Tenda quase que diariamente, motivo pelo qual viemos até aqui esclarecer esta questão.
Por certo não vamos discutir fundamentos religiosos praticados pelos milhares de terreiros  que existem neste Brasil. Seria muita prepotência nossa criticar ou apontar todos aqueles que não praticassem o mesmo ritual que praticamos aqui, e condenar a todos, dizendo que nós somos os doutores e donos da verdade, aqueles que praticam a verdadeira Umbanda. Não vamos e até nem achamos correto tal atitude. Somos cientes e acreditamos que a Umbanda é uma unidade em construção, e em matéria de ritualística não temos ainda uma codificação, nem cremos que algum dia isso traria algum benefício para a religião. Como disse pai Rivas Neto: “A Unidade Umbandista se manifesta na diversidade, nas suas diversas Escolas.”
Mais adiante, no mesmo texto pai Rivas ainda coloca: 

 Após estas explicações não temos como definir aqueles que não têm o menor pudor em afirmar que “sua Umbanda” é a melhor de todas, devendo ser o modelo a ser seguido. Será que não entenderam que a Umbanda é uma unidade (essência-realidade) que se manifesta na universalidade, na diversidade, e que a parte não pode representar o Todo? Que somente a interação e interdependência das partes podem representar o Todo e nunca o contrário? Portanto, não há uma “Escola” melhor que outra. É inadmissível dizer que essa ou aquela “Umbanda” é melhor que as outras. Na atualidade não há nexo essa conduta anacrônica.(Neto, Rivas 2011)

Após esta explicação, apenas para ilustrar nosso pensamento, queremos esclarecer que, apesar de acreditar nesta teoria das escolas Umbandistas, cremos que existem linhas norteadoras da nossa Umbanda, que foram traçadas pelo fundador da nossa amada religião, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Pai Zélio Fernandino de Moraes, que nos servem para definir o que é Umbanda:
Lembremos algumas palavras ditas pelo Caboclo na noite de 15 de novembro de 1908:

 “- A nova religião virá, e não tardará o tempo em que ela falará aos corações mais simples e numa linguagem despida de preconceito. Entre o povo do morro, das favelas, das ruas e dos guetos, será entoada uma cantiga nova. O povo receberá de seus ancestrais o ensinamento espiritual em forma de parábolas simples, diretamente da boca de pais-velhos e caboclos.”

 “- Deus, em sua infinita bondade, estabeleceu a morte como o grande nivelador universal. Rico ou pobre, poderoso ou humilde se igualam na morte, mas vocês, que são preconceituosos, descontentes por estabelecer diferenças apenas entre os vivos, procuram levar essas diferenças até além da morte. Por que não podem nos visitar os humildes trabalhadores do espaço se, apesar de não haverem sido pessoas importantes na Terra, também trazem importantes mensagens da Aruanda? Por que não receber os caboclos e pretos-velhos? Acaso não são eles também filhos do mesmo Deus?”

 “- As igrejas dos homens e os templos construídos pelo orgulho humano são muito imponentes. Chamaremos de tenda o local de reunião; um lugar simples humilde, como simples e humildes devemos trabalhar para ser.”

Uma das mais importantes diretrizes, entre outras talvez seja esta:

“-Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo”.

 Após estabelecer as normas que seriam utilizadas no culto e com sessões diárias das 20:00 às 22:00 horas, determinou que os participantes deveriam estar vestidos de branco e o atendimento a todos seria gratuito. Depois ainda acrescentou:

‘-Assim como Maria acolhe em seus braços o filho, a tenda acolherá aos que a ela recorrerem as horas de aflição; todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai”.

 As sete linhas que foram ditadas para a formação da Umbanda são: Oxalá, Iemanjá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxossi e Exu. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das acima mencionadas. Zélio nunca usou como profissão a mediunidade, sempre trabalhou para sustentar sua família e muitas vezes manter os templos que o Caboclo fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar a ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele. O ritual sempre foi simples.
Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje. As guias usadas eram apenas as determinadas pelas entidades que se manifestavam. A preparação dos médiuns era feita através de banhos de ervas e do ritual do amaci, isto é, a lavagem de cabeça onde os filhos de Umbanda fazem a ligação com a vibração dos seus guias.
Pois bem irmãos. Sabemos que os tempos mudaram, muita coisa se renovou para continuar viva, mas acreditamos firmemente que toda casa pautada pelas diretrizes colocadas acima, esta praticando Umbanda. Quanto a ritualística, podem haver variações e elas existem, com certeza, porém, não podemos sair dos fundamentos mínimos listados acima para se estar praticando Umbanda: A prática da caridade, ou seja, atendimentos gratuitos, ausência de sacrifícios animais, aceitando apenas sacrifícios vegetais e minerais, o trabalho mediúnico de intercâmbio com as almas de Caboclos, Pretos velhos, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Exus, enfim, todas entidades que se manifestam na Umbanda, pois como disse o Caboclo: “… todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai”, um mínimo de cuidado com horários, procurando não se estender muito após as 22:00hs, sendo respeitoso com a vizinhança do Templo, pois somos cientes que a Umbanda é uma religião urbana.
Assim, encerramos nossa postagem, desejando que os irmãos(as) tenham entendido nossa posição, e se restaram dúvidas, não deixe de nos comunicar, utilizando o espaço dos comentários abaixo.
Um fraternal saravá e um abraço.

 
Fontes de pesquisa:
NETO, Rivas. Escolas Umbandistas: As neutralizadoras do fundamentalismo endógeno. Disponível em: http://sacerdotemedico.blogspot.com.br/2011/01/escolas-umbandistas-as-neutralizadoras.html

Site do Terreiro do Pai Maneco. Disponível em: http://www.paimaneco.org.br

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