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OFERENDAS NA UMBANDA – Uma visão mágica dos seus fundamentos

 por Rubens Saraceni 

Eu sou umbandista e sou médium de incorporação, caso o leitor não saiba. Pois bem! Eu era um médium dedicado e aplicado e fazia ao pé da letra o que meus guias espirituais determinavam. Quando determinavam um banho de pétalas de rosas brancas, eu corria para comprar algumas e, antes de ir ao centro que eu frequentava, preparava meu “banho de rosas”. Se determinavam que eu tomasse um banho de canjica (milho de canjica fervido até a água ficar toda branca e leitosa), eu tomava meu banho de canjica sem questionar nada.  Se determinavam que eu tomasse banho com folhas (alecrim, espada-de-são-jorge, guiné, arruda, erva-cidreira, boldo, folhas de louro, manjericão etc.) eu tratava de adquirir aquela(s) recomendada(s) e tomava meu “banho de ervas”.  Se recomendavam que eu fosse à natureza e fizesse uma oferenda para um orixá ou um guia espiritual e levasse velas de determinada cor, certas bebidas, certas frutas, certas flores etc., eu procurava fazer tudo certo eu não deixava faltar nada, às vezes, até exagerava.
Até aqui nada demais, porque é assim que procedem todos os médiuns umbandistas dedicados e aplicados.  Portanto, não é mérito algum meu proceder assim, pois esse é nosso dever: obedecer às orientações dos nossos guias, que nos amam e querem o melhor para nós, mesmo não sabendo como eles nos ajudam.  O fato é que eu, um curioso incorrigível, comecei a prestar atenção às oferendas e conversava com outros médiuns sobre elas. E, em nossas ingênuas e bem intencionadas conversas sobre as “coisas” que colocávamos em nossas oferendas, não atinávamos com o poder mágico dos “elementos” que “entregávamos” aos nossos guias espirituais e aos nossos orixás. Inclusive, as formas de indicá-las obedeciam a uma linguagem própria, pois às vezes diante de um guia para uma consulta ele dizia:

 – Filho, você precisa dar uma oferenda para orixá tal ou para o guia tal porque precisa fortalecê-lo. Outra vez outro guia espiritual recomendava isto:

– Filho, você precisa firmar uma vela de sete dias para o seu orixá; seu caboclo; seu anjo da guarda etc., porque ele está fraco e só assim ele poderá ajudá-lo.  Outra vez outro guia espiritual dizia isto:

 – Filho, esta pessoa está com uma demanda, e para cortá-la, você precisa dar uma oferenda para um orixá, um guia da direita ou um guia da esquerda para ele cortá-lo e descarregá-lo. Outra vez um guia espiritual dizia isto:

– Filho, esta pessoa está com uma demanda muito forte e só levando-a no ponto de força do orixá tal e fazendo uma oferenda para ele é possível ajudá-la, porque não podemos mexer nesse trabalho aqui no terreiro.  Pois bem, nós médiuns obedecíamos e tudo ficava bem. Mas, em nossa ignorância e ingenuidade (no bom sentido, é claro) ficava a impressão de que só seriamos ajudados se “déssemos” algo em troca.  E, para complicar ainda mais o nosso aprendizado, a comunicação dos Exus e Pombas-giras colocava uma pá de cal sobre o assunto, pois diziam em alto e bom som:
 – De graça, Exu não faz nada! Aí dava um nó cego em nossa religiosidade porque, em nossa ignorância e ingenuidade, eles deixavam claro que só trabalhariam em nosso benefício se fossem “pagos”. Para piorar as coisas, ainda tinha algum Exu que dizia isto:
 – Quero uma oferenda assim e assim para ajudá-lo a conseguir isso (um emprego, saúde, um relacionamento etc.) e, depois que conseguir, aí você me dará outra oferenda de agradecimento assim e assim, certo? E se não der, aí você perderá tudo o que eu lhe dei, ouviu?  Esse era o alerta extremo e fez com que muitos “pagassem” rigorosamente o que “deviam”.  Isso era assim, isso é até hoje e sempre será assim, não porque as entidades espirituais precisam ser pagas de fato, e sim porque as oferendas (ou despachos ou ebós) fornecem-lhes os recursos energéticos que precisam para poderem auxiliar-nos. Apenas a forma como pedem esses recursos deixava (e ainda deixa) uma indagação no ar:
 – Por que preciso pagar ou dar algo em troca para ser ajudado?
 Na verdade, essa é a grande verdade jamais revelada, mesmo sendo “guias espirituais” eles precisam (em certos casos) de que lhes forneçamos os “recursos elementais” para, manipulando-os magisticamente, ajudarem-nos. Até certo ponto, eles nos auxiliam com o que possuem em si como seus “poderes pessoais”. Mas, dali em diante, ou recebem numa oferenda ritual mágico-religiosa os elementos que precisam ou não têm como trabalhar em nosso benefício, porque só ativando os elementos magisticamente conseguirão fazer por nós o que só a “magia elemental” consegue fazer.  Talvez, se tudo tivesse sido colocado de outra forma, tudo teria sido muito mais fácil para as pessoas que precisavam de auxílio e teriam entendido que na verdade não estavam pagando nada, e sim fornecendo só os recursos elementais (ou energia dos elementos) para que as entidades pudessem trabalhar seus problemas, pois na criação tudo é energia nos mais variados graus vibratórios e “sem energia não se produz nada”.
Os elementos colocados dentro de um espaço mágico (ou em uma oferenda ritual mágico-religiosa em um ponto de forças na natureza) são as fontes naturais geradoras das energias mais “densas” que existem. Elas, quando ativadas corretamente, realizam coisas que nenhuma outra energia consegue realizar.  Hoje, olhando com outros olhos o meu passado e o que acontece por aí afora com as “oferendas”, sinto uma imensa tristeza por não ter tido um guia espiritual ou ao menos uma só pessoa que nos explicasse essas coisas, e foi preciso que um espírito mensageiro cujo nome simbólico é “Pai Benedito de Aruanda” começasse a nos ensinar por meio dos livros psicografados por mim, fornecendo-nos gradualmente a resposta para muitas das nossas práticas “mágico-religiosas” umbandistas.  E foi preciso a vinda de um espírito mensageiro chamado “Mestre Seiman Hamiser Yê” para nos abrir parcialmente os fundamentos divinos da magia, permitindo-nos uma compreensão do que já fazíamos, mas não conhecíamos seus fundamentos ocultos.
Dali em diante, tudo assumiu seu real significado. Dar forças a um guia, não era porque ele estava fraco, e sim era fornecer-lhe os recursos elementais magísticos para que ele pudesse trabalhar em nosso benefício.  Dar determinadas frutas, bebidas, velas etc., em uma oferenda, não é porque o guia ou o orixá precise “comer e beber”, e sim porque são recursos elementais mágicos com os quais nos ajudam na solução dos nossos problemas.  

Texto extraído do livro “A Magia Divina das Sete Ervas Sagradas”. Rubens Saraceni / Editora Madras

Por Michael

Sacerdote Umbandista, dirigente da Tenda de Umbanda Xangô 7 Raios.

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